Fragmentos do espelho

Um caminho profundo rumo ao conhecimento da infinitude, à busca pelo aquietamento da racionalidade e ao encontro da luz e da energia sublimes.

Por completo chega o vazio, rastreando no tempo o sol se anuncia. Um apelo ao coração: Amanheça.

Vem e vai a luz revelando o vermelho trepidante do sangue por toda a parte. O caminho de Simaramis é intenso, rodeado de muitos símbolos que lhes vai dizendo algo mais. É possível, então, perceber um universo de círculos, triângulos, quadrados em triângulos em círculos. Cada vértice um significado profundo de si no mundo. Encontra-se por toda a parte, defronta-se consigo na escuridão e procura a luz, pois o medo invade os canais cardíacos com incessantes palpitações. Um hexagrama de energia se manifesta violentamente trazendo calorosamente brilho à escuridão e como que ganhasse forma material-mineral começa a dialogar com Simaramis. Anuncia:

- Vou lhes revelar algo mais. Entre, sinta, neste espaço não há nada que possa racionalizar. Permita-se viver, observar, tentar, amar. Sou mais que matéria em ti. Sou luz em teu coração. Sou tristeza, alegria, regeneração, reintegração, reencarnação. Sou Uno em ti, não tente me tocar, pois transcendo tudo o que é matéria. Sou passado, presente e futuro. Com inquietude responde Simaramis:

- Está em mim? Então, estás comigo! Quem és tu?

Serenamente continua o hexagrama.

- Sou homem, mulher, masculino e feminino, uma única vibração. Sou a sua via cardíaca, seu encontro comigo, que a tudo se manifesta. Siga em frente e vamos sentindo, permitindo Ser o que surgir. Não há espaço para o medo, transmutamo-lo juntos em fragmentos de luz. Venha comigo conhecer um outro espectro. Sigamos pelo canal da razão, denominado por ti neste mundo material, de cerebral.

Simaramis continua a caminhar observando ao longe aquilo que lhes observa: há

hexagrama por toda a parte. Neste novo canal um emaranhado de ondas eletromagnéticas, uma forte energia lhes convida a entrar.

- Pare, olhe, vamos dialogar? Propõe-lhes um círculo que por lá reside e translúcido continua a se expressar: - É possível racionalizar tudo o que vê por aqui?

Simaramis não consegue encontrar palavra para externar o que naquele espaço da razão poderia intelectualizar. Emudece, a inação toma conta de todo o seu Ser.

O símbolo continua: - Sabe por quê? Embora observe vias cerebrais, não há nada neste momento que possa resultar em palavras, elas se fragmentam por toda a parte e vão para cada canal infinito dentro de ti. A palavra é algo que se movimenta, cheia de vida, deve ser sentida pela via cardíaca antes que vire matéria. Não intelectualize demasiado aquilo que deve se permitir sentir. Vê aquele corredor lá? Sem se mexer, mas como se estivesse olhando por toda a parte, dominando todo o espaço como somente poderia ser o círculo demonstra para Simaramis. – Estamos ligados univocamente à via cardíaca, a palavra antes de sair de ti é um símbolo para viver, sentir. Tudo que você falar se transforma naquilo que tu és no Micromundo do seu macrocosmo.

Simaramis estática balbucia cuidadosamente algumas palavras:

- Quê mundo?

O translúcido círculo invoca o hexagrama e juntos respondem:

- Aquele que você procura.

Intempestivamente começam sons vocálicos intensos transformando-se em sucessivos terremotos representando a voz de imponentes sinos. Circulam ao redor de Simaramis formando um espiral de vibração intensa que muito lentamente fazem-lhes elevar as mãos até os ouvidos, pois a energia que vibra é de uma intensidade incalculável, que não lhes permite ao menos permanecer de olhos abertos, pois a luz é de tal poder que pode por segundos cegar-lhes. Propondo-lhes, então, somente a quietude, permitem-se sentir. Tudo foi embora, qualquer fragmento de palavras inexiste. Nesta avalanche que dura segundos incalculáveis, o tempo vai se esvaecendo e tudo ao redor começa a se acalmar.

Simaramis respira fundo e lentamente se encoraja a abrir os olhos. Estupefata, emudece diante do espelho à sua frente naquela manhã tão ensolarada. Sem balbuciar qualquer palavra, sai do quarto, tranca a porta. Um outro fragmento lhe espera. Já é de manhã.

Natalia Bueno é Professora e Pesquisadora. Aprecia a literatura e escreve contos e romances no estilo realismo fantástico.

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