Horta Coletiva: o início

A necessidade de uma vida mais equilibrada nos leva a buscar novos espaços de convivência e o estreitamento das amizades. Com as mãos na terra, tudo fica mais fácil.

A ideia de fazer uma horta coletiva surgiu literalmente do nada em uma manhã como todas as outras, e a justificativa veio de forma muito clara: voltarmos a nos relacionar, e, por que não, fazer isso plantando e colhendo alimentos orgânicos? A questão nunca foi tão atual. Se, por um lado a tecnologia nos aproximou, por outro as grandes cidades parecem ter minado o que seria natural: conhecer as pessoas que coabitam o mesmo espaço.

Amontoamo-nos em prédios, mas mal conhecemos o vizinho com o qual dividimos a mesma parede. Eu mesmo, moro há cerca de vinte e cinco anos na mesma casa e sequer conhecia o vizinho da rua de trás. O questionamento era claro: como podemos desejar um mundo melhor enquanto todos se protegem atrás de seus muros de ferro, de alvenaria e da alma? Vale acresentar: esse último muro é o mais difícil de derrubar.

Com a ideia delineada, o problema do local pareceu simples: qualquer terreno baldio serviria. Com a meta e o caminho claros, seria simples pedir autorização ao proprietário do terreno, afinal, seriam apenas alfaces no lugar do mato. Mas, depois de muitos desafios e investigações para descobrir o nome e o telefone do proprietário, fomos informados de que o terreno não estava à venda e que o dono não o cederia.

Um pouco decepcionado, lamentava o fato com meu vizinho e amigo, quando ele propôs construir a horta atrás de uma casa de madeira da sua família, a qual ele usaria para montar uma bicicletaria. No mesmo dia fomos até o local e no dia seguinte já estávamos arregaçando as mangas e começando a trabalhar.

Foi incrível! Éramos apenas dois, mas nos sentíamos mil. Uma verdade ficou muito clara: a Vida nos favorece quando estamos a favor dela. Levamos cerca de dois meses para preparar o espaço, jogando fora entulhos para que pudéssemos organizar o primeiro mutirão. No início de dezembro de 2015, éramos cerca de 20 amigos dando o ponta-pé inicial na horta, que batizamos de Horta do Bem Terra Pura.

Desde então, trabalhamos vários conceitos na organização do espaço para atender os fins que desejávamos:

Horta limpa: queríamos que as pessoas pudessem vir com a roupa do seu trabalho, mesmo que fosse um terno, e mexer na horta sem se sujar. Com isso poderíamos aumentar a frequência de pessoas para cuidar do espaço e regar. Para isso, usamos o resto do muro de concreto que desmontamos para fazer os caminhos da horta e tijolos para demarcar cada canteiro.

Horta jardim: o belo encanta, atrai e sobretudo acolhe. Por isso organizamos os canteiros com uma ordem e plantamos flores para enfeitar, além de muitas verduras, é claro.

Mesas e cadeiras: se o objetivo da horta era o de promover encontros, eles seriam mais frequentes quanto mais tempo as pessoas permanecessem no espaço. Logo, fizemos uma mesa e colocamos bancos. Mais tarde colocamos até um toldo para nos abrigar do sol.

Sem muros: como não haveria a princípio ninguém no local, as pessoas precisariam ter livre acesso à horta. Para isso, derrubamos literalmente os muros. O valor disso foi muito profundo: o de bancar o risco da vida e, sobretudo, o de confiar no ser humano. Para as inúmeras pessoas que nos perguntaram, um pouco preocupadas, sobre o risco da depredação, até hoje sentimos a satisfação de dizer que valeu a pena. Apesar de deixarmos cadeiras, vasos e outros objetos no espaço, nunca sumiu nada.

Eventos: para integrar as pessoas, os eventos são bem importantes, e seu potencial quase infinito. Nesse pouco tempo, fizemos um evento para produzir vasos de argila para a horta vertical, promovemos um encontro com os vizinhos da rua, tivemos prática de Tai Chi Chuan, palestra, e muito violão.

Compartilhamento: criamos um fruteiro com pallets para o compartilhamento de frutas das árvores frutíferas que algumas pessoas têm em seus quintais. Futuramente pretendemos ampliar com livros e outros objetos.

Generosidade: em tudo isso, contamos com muitas pessoas. Acreditamos que todas têm experiências e conhecimentos a oferecer, mas contagiá-las tem sido um desafio.

O resultado de tudo isso tem sido muito superior à expectativa, e também muito transformador. Conhecemos muitas pessoas valiosas nestes oito meses. Novas ideias foram surgindo ao longo do caminho. Hoje sinto solidificar a esperança de que existe um outro mundo possível, mas que ele depende, sobretudo, de encontrarmos o caminho certo.

Num próximo artigo daremos dicas sobre como fazer a horta vertical com pallets, plantação de morangos em canos de PVC entre outras ideias que aplicamos. Também não deixe de acessar a página de eventos, pois iremos atualizar as datas para os próximos encontros e atividades!

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